Nanotecnlogia para entretenimento e deteção Alzheimer

Nanotecnlogia para entretenimento e deteção Alzheimer

13 de Janeiro de 2015 às 12:22 por em Livros, Tecnologia
 

Já passaram mais de dez anos desde que acordei literalmente para a temática da nanotecnologia.

Ainda não havia Laboratório Ibérico de Nanotecnologia nos terrenos que outrora foram da Bracalândia, em Braga, quando li aquele que considero o melhor livro de Michael CrichtonPresas – precisamente sobre nanotecnologia.

Estranho que neste espaço de tempo, só pontualmente tenha ouvido falar de aplicações da nanotecnologia. Ou então, serei eu que estou desatento … mas esta em particular não me passou despercebida, talvez por ser bastante sensível a esta doença – Alzheimer – que considero das mais dramáticas pois atenta contra a nossa própria identidade.

Nature-Nano-coverUm estudo publicado na Nature Nanotechnology aponta um novo tipo de exame cerebral, desenvolvido por cientistas da Northwestern University, que é capaz de detetar as toxinas que causam a doença de Alzheimer.

O teste, que utiliza a nanotecnologia, identifica os primeiros sinais de demência e pode vir a ser utilizado para controlar e combater a doença.

As áreas do cérebro que contêm as tais toxinas são vistas no scan ao cérebro como grandes manchas escuras.

A identificação dá-se pela utilização de uma nanoestrutura magnética que pode ser vista por um aparelho de ressonância magnética.

Esta nanoestrutura magnética é ligado a um anticorpo que “procura” as tais toxinas cerebrais (amyloid beta).

Este exame pode ser utlizado para diagnóstico, mas também com fins terapêuticos, uma vez que em avaliações sucessivas é capaz de determinar os efeitos da administração de um novo medicamento.

 

Mas voltando ao livro, gosto muito deste tipo de tramas, apelidados de techno-thrillers. Neste género, Michael Crichton, era por certo um mestre. Neste e noutros, o que pode ser atestado por algumas obras que chegaram ao cinema: A Esfera, Parque Jurássico, Disclosure, a série ER, …

prey-michael-crichtonMorreu em 2008 e acho que o mundo nem se apercebeu …

 

A razão do preferir Prey (Presas) a todos os outros que li, prende-se não apenas por ter sido surpreendido pelo potencial alcance da nanotecnologia, mas também pela conjugação do tema com as ciências da computação, particularmente com a inteligência artificial.

Michael Crichton conta-nos a história de uma epidemia “nanotecnológica” e dos esforços desesperados do protagonista e de um grupo de cientistas para a travar. O livro, que presumo esteja muito bem escrito no original, dada a coerência e rigor com que os aspetos técnicos são apresentados, nomeadamente o que diz respeito às ciências da computação, que é a valência que eu posso avaliar, não conta com uma tradução para português à altura. No entanto este facto não é perturbador do clima de suspense e até ansiedade em que o autor nos consegue colocar.

No deserto do Nevada, uma experiência corre mal. Uma nuvem de nanopartículas – micro-robots – escapa-se do laboratório. Esta nuvem tem vida própria, foi programada para ser autónoma, auto-reproduzir-se e trabalhar em grupo – como um enxame, um sistema de agentes, seguindo um algoritmo informático com fundamentos de inteligência artificial que simula o comportamento cooperativo dos predadores. A ideia era desenvolver esta tecnologia para fins elevados e altruístas. Fins médicos, por exemplo, a fabricação de câmaras miniaturizadas que pudessem percorrer o nosso sistema sanguíneo.

Após a fuga dos laboratórios da Xymos Technology (fixei este nome pela semelhança com o da banda Clan of Xymox), e dada a “inteligência” e capacidade de aprendizagem do enxame, este multiplica-se, evoluí, torna-se mortal para tudo o que é ser vivo na zona. Todas as tentativas para o destruir vão falhando invariavelmente e o ser humano é a sua derradeira presa …

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