Sexting seguro? Tal coisa não existe

Sexting seguro? Tal coisa não existe

5 de Janeiro de 2013 às 16:57 por em Pessoal
 

sexting inseguroHá algum tempo atrás, ouvi falar, ou melhor “li”, como costuma acontecer com todas as novidades de que tenho conhecimento, sobre uma aplicação para Android que permitia enviar imagens e vídeos que não podiam ser gravadas nos smartphones e só podiam ser visionadas durante um certo tempo.

Como estou relativamente por dentro “destas coisas da Informática” logo devo ter esboçado um sorriso de desdém por algo que prometia o inexequível e passei à frente sem sequer fixar o nome da referida aplicação.

Sou defensor da máxima de que “o que posso ver num qualquer dispositivo eletrónico, posso gravar” com maior ou menor esforço, e ainda não houve nada de que tivesse conhecimento, que o desmentisse.

Ora, pelos vistos a tal aplicação fez sucesso.

Há pessoas muito crédulas, e outras muito preguiçosas para colocarem em causa aquilo que lhes dizem, e parece que o uso do Snapchat (assim se chama a app) até virou moda e contribuiu para incrementar uma atividade que alguns já se apressaram a designar de sexting.

Como sexting designa-se o envio de fotografias sexualmente explícitas por telemóvel ou smartphone.

Supostamente, existem cada vez mais jovens e adolescentes a fazê-lo, pelo menos a avaliar pelo que leio sobre os jovens norte-americanos.

Quanto aos portugueses não faço ideia, pois atualmente estou bastante afastado do meio escolar, o que não quer dizer que quando por lá andava, me apercebesse propriamente de muitos dos seus hábitos.

Na América, parece que a técnica é usada por muitos estudantes do ensino secundário, e nem todos esperaram pelo lançamento de aplicações como o Snapchat, que anunciam como referi, limitar a duração de visionamento das imagens.

Fazem-no mesmo sabendo que as imagens “com bolinha” que enviam uns aos outros, podem ser guardadas pelos destinatários e até difundidas para terceiros.

Esta gente não se lembra que vai crescer um dia?

Li na TeK sobre um estudo feito por um investigador da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, com base em inquéritos a algumas centenas de estudantes do ensino secundário, que conclui que 20% dos alunos (alguns com apenas 14 anos) declararam já terem enviado uma imagem deles mesmos, sexualmente explícita, através do telemóvel.

O dobro desse número – 40% – refere já ter recebido uma foto desse género.

Ora, se estes pelo que percebi, fizeram-no sem rede (sem aplicações tipo Snapchat), e conscientes que as suas imagens iriam “andar por aí”, quantos o farão agora, utilizando o Snapchat, que conferirá alguma segurança aos mais crédulos destes jovens?

Muitos com certeza, pelo menos a avaliar pelo apetite que o Facebook demonstrou por este tipo de tecnologia.

Parece que a empresa de Mark Zuckerberg quis mesmo comprar a detentora do Snapchat, e à resistência dos proprietários em vender, respondeu com uma aplicação para iPhone que lançou nos últimos dias de Dezembro – o Facebook Poke.

Para já só corre em iOS, mas espera-se uma versão para Android em breve.

Supostamente, tal como com o Snapchat, qualquer teenager (ou twentyager, ou até “cota” como eu) que queira enviar uma imagem ou vídeo supostamente auto-destrutivos após algum tempo, pode fazê-lo agora com este facebook Poke.

Ora, está na hora de voltar ao meu ceticismo inicial.

Auto-destrutivos só em teoria.

Como mostra a BuzzFeed, não só esses vídeos e imagens não se extinguem ao fim do tempo determinado, como podem ser guardados para sempre.

No Snapchat os ficheiros ficam acessíveis na pasta da aplicação, dentro de uma sub-pasta chamada tmp, enquanto no facebook Poke basta aceder a library/caches/fbstore/mediacard

Se no facebook Poke os ficheiros são removidos depois de serem visualizados no smartphone (podem é ser sempre recuperados), no Snapchat mesmo depois de visionados, continuam na tal pasta tmp.

Com a descoberta desta falha de segurança, Evan Spiegel, o criador do Snapchat, mostrou-se contemporizador ao referir que independentemente de todos os esforços, alguém vai sempre encontrar uma forma de guardar os ficheiros.

Pois claro. Faltou foi tornar isso mais evidente a quem descarrega a aplicação desde o seu lançamento.

O Facebook também reagiu, e deu garantias de que uma atualização para corrigir o problema deverá chegar dentro de pouco tempo, mas ao mesmo tempo lembrou os perigos deste tipo de aplicações, e a responsabilidade que tem que presidir ao seu uso.

E tu? Já mandaste fotos picantes de ti mesmo a alguém?

Fica aqui um vídeo que mostra como este tipo de aplicações pode ser utilizado com criatividade e neste caso sem riscos para imagem de ninguém.

 

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