Figo é o melhor da sua geração! Quem? De quê?

Figo é o melhor da sua geração! Quem? De quê?

12 de Setembro de 2013 às 23:19 por em Pessoal
 

Nunca gostei de Luís Figo. Claro que gostava do futebol dele. Como apreciador de futebol não o poderia ignorar, mas nunca me agradou, ou melhor, por diversas vezes me desagradaram as atitudes do Homem que é parte (importante) do futebolista.

Até podia sentir alguma simpatia por ele, pois para um portista poderia ser agradável assistir à indiferença, ao desapego e nalguns momentos, até ao desdém, com que tratou o Sporting, o clube que o formou e lhe possibilitou arrancar para a carreia que teve.

água benta

Como disse, nem seria o seu carater excessivamente “peseteiro” que me desagradava, pois um jogador de futebol é um profissional e entendo perfeitamente que tenha que zelar pelos seus interesses.

Reconheço até que este senhor meu deu várias alegrias enquanto português, com belos jogos que realizou ao serviço da equipa das quinas, e dou de barato os outros, em que não apareceu minimamente em jogo, imediatamente depois ou imediatamente antes, de realizar grandes exibições pelo Barça ou Real Madrid.

Em bicos de pés a tentar ombrear com o CR7

Luís Figo apareceu hoje nas televisões a colocar-se em bicos de pés. Na minha modesta opinião, tentando ombrear com Cristiano Ronaldo.

Se Figo manifesta um certo desapego para com as instituições por onde passou, evidencia em ordem inversa, um extremo apreço pelo seu próprio umbigo.

Que se vangloriasse de ser o futebolista português mais tecnológico de sempre, entendia.

Que se gabasse de ser o jogador de futebol de todos os tempos, mais virado para a ciência, para a tecnologia, para a promoção de um ambiente urbano sustentável, mais inovador. Concordaria.

Enfim, que se achasse e apregoasse ser, um mago da I&D (investigação e desenvolvimento) aplicados ao futebol, teria que concluir que sim.

É que Luís Figo foi escolhido para assinar um contrato milionário com aquele parque de ciência e tecnologia que fica no mesmo concelho do Estádio dito nacional, e eu acredito que quem o tenha convidado para tal, uma vez que geria importantes recursos públicos da Nação, o tenha feito dado este seu “perfil tecnológico mais que comprovado”, em sintonia com a missão do referido parque.

Se tivesse apenas corroborado as declarações infelizes e despeitosas de Eusébio, apelidando-o como o Rei e como estando bem acima do CR7, eu não tinha ficado com o estomago revolvido e poderia estar a fazer algo bem mais importante ou lúdico, em vez de escrever estas linhas. Embora não chegasse a perceber como Figo sabia tanto de Eusébio, pois sendo ainda mais novo do que eu, nunca o viu jogar … a menos que realmente domine de tal modo a tecnologia, que tenha já conseguido viajar no tempo, e assim tenha podido acompanhar a carreira de Eusébio.

Ficaria assim emudecida toda essa vil gente, que acha que o que aconteceu no Taguspark, foi mais um roubo ao erário público, ao pagar principescamente a Figo pela promoção da imagem de uma entidade com tão pouca afinidade com o futebolista.

A Câmara Municipal de Oeiras detém 18% da Taguspark. O Estado detém 32,19% através do Instituto Superior Técnico (12,64%), do INESC (8,44%), da Universidade Técnica de Lisboa (4,21%), da Fundação para a Ciência e Tecnologia (3,45%) e do IAPMEI (3,45%). Acresce 10% detidos pela Caixa Geral de Depósitos. O BPI detém 10,03% e o BCP 10%. A PT detém 5,98% e a EDP 5,06%. O restante capital é detido pela SIBS (4,9%), Câmara de Cascais (1,15%), FLAD (1%), Iberopark (1%) e ISQ (0,69%).

Contas feitas, o Estado detém 32.19%, a administração local 19.15%, e as (na altura) empresas com bastante capital público detinham outros 20%. Portanto, muito dinheiro público em jogo.

Dizia eu então que se Figo se tivesse ficado por bajular Eusébio com o intuito de menorizar Cristiano Ronaldo de modo a equiparar-se ele mesmo a este último, eu não teria escolhido escrever este texto.

Tinha notado mais uma vez a falha de carater e tinha avançado e estaria se calhar a ver o episódio de Mentes Criminosas no AXN.

Eu fui o melhor da minha geração

Mas Figo foi mais além, e disse que tinha sido o “melhor jogador da sua geração”.

Retiro algumas pérolas do seu discurso:

Eu fui o melhor na minha geração. Não sou eu que o digo. Ganhei os prémios que tinha que ganhar.

As comparações são sempre odiosas.

Felizmente que não estou no meio dessas comparações.

Na primeira frase descarrega a água benta toda sobre si. Na frase seguinte apercebe-se do ato de puro Narcisismo e tenta justificar-se pelos prémios que ganhou (faltou saber se não houve quem tivesse ganho mais). E para terminar, depois de se comparar “por cima” com uma data de jogadores excecionais da sua geração, congratula-se por não estar “no meio” dessas comparações. Na sua opinião estará com certeza “por cima” … pois.

Pelo meio, e nisso estou de acordo, refere que as comparações são algo odioso de realizar. Porém, não se absteve de se comparar com todos os jogadores (portugueses suponho, valha-nos esse limite à presunção de Figo) que jogaram na mesma altura que ele.

Reconheço que Luís Figo jogou nas melhores equipas da Europa. Foi campeão europeu; venceu a taça das taças e a taça intercontinental; venceu os campeonatos dos países onde jogou, exceto o português; colecionou vários troféus; e foi considerado o melhor jogador do mundo em 2001.

Mas há um jogador português da sua geração, 3 anos mais velho, que também jogou nas melhores equipas da Europa. Que também foi campeão europeu; que não venceu a taça das taças, mas venceu a taça UEFA e como ele a taça intercontinental; que foi campeão nos países onde jogou, sem exclusões – até em Portugal ao contrário de Figo, foi campeão inúmeras vezes; que colecionou ainda mais troféus que Figo, e que embora nunca tenha sido considerado o melhor jogador do mundo, nem ele, nem nenhum guarda-redes alguma vez o foi, foi considerado o melhor guarda-redes da Europa pela UEFA e o melhor guarda-redes do mundo pela FIFA em 2003/04.

Falo claro de Vítor Baia, que ao contrário de Figo só se colocava em bicos de pés para espreitar a posição da barreira ou para se fazer a uma bola mais distante.

Na cápsula do tempo enterrada pela UEFA aquando do seu jubileu de ouro em 2004, foi colocado precisamente um par de luvas de Vítor Baía. Mas se calhar também lá iria uma peúga de Figo e eu desconheço.

Foi o 1º jogador português a atingir as 75 internacionalizações e só não deterá hoje o record das mesmas pois não contou com a amizade do poder político (aquele que propicia benesses várias como milionários contratos de imagem) para colocar na ordem um selecionador casmurro que insistiu em ignorar o então melhor guarda-redes português.

Em todo o caso, tens razão Figo, é odioso estabelecer comparações.

Comparar um jogador de campo e um guarda-redes não é nada fácil.

Ainda é talvez mais difícil que comparar dois jogadores separados por mais de 40 anos.

Engraçado e reconfortante, que nessas duas comparações façamos uma escolha radicalmente oposta.

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