Que música usas para toque do telemóvel?

Que música usas para toque do telemóvel?

4 de Janeiro de 2013 às 11:02 por em Música
 

ian curtisSou fã dos Joy Division talvez como de nenhum outro grupo. Interesse que me vem da adolescência.

Parece que ainda ouço a minha mãe a lamentar-se por eu acordar com aquela “música de mortos” durante a temporada em que ligava o leitor de cassetes duplo para poder fazer gravações (Sim! Eu ainda sou do tempo das cassetes!) à fonte de alimentação que construí nas aulas de eletrónica, e que utilizava como temporizador e despertador.

Nessas noites, antes de adormecer, nunca me esquecia de rebobinar a cassete e ativar o aparelhómetro onde sobressaia o display de dígitos verdes que na atualidade consideraria pouco discretos e garrafais, mas que na altura equipavam os mais comuns dos aparelhos eletrónicos.

Comprei o display na Díodo – uma loja de componentes eletrónicos que há tempos constatei já não estar na rua da Fábrica. Ainda me lembro que havia displays em verde e em vermelho.

Se existissem em azul não pensava duas vezes, mas eram apenas essas as cores, e como tal ainda assim não devo ter pensado duas vezes quando levei o verde … nunca me senti minimamente atraído pelo “encarnado” que ainda hoje me causa alguma urticária.

Pela manhã, mal o tal display verde que iluminava todo o quarto atingia a hora marcada, soltava-se da cassete a tal da música de mortos.

A minha mãe não sabia, mas a associação até era muito perspicaz tendo em conta não só o desfecho do autor das músicas – Ian Curtis suicidou-se bem jovem, como também o suposto destino do radialista da Rádio Cultura (não me lembro do nome do “artista”, mas a radio tenho a certeza que se chamava assim), que emitindo do prédio do Gato Verde (outra referência do meu tempo), na Constituição, me ajudou a aprender a gostar dos Joy Division.

Naquele tempo que foi o apogeu das rádios piratas, eu tinha uma lista com todas, e cheguei a colar uma faixa de papel no radio leitor de cassetes, com a localização exata de cada emissora, feita com um tracinho bem fino.

Os sintonizadores FM na altura eram todos analógicos e tínhamos que usar estes expedientes para garantir que acertávamos com a emissora desejada. É que com tantas rádios, bastava um milímetro para a esquerda ou para a direita para “cair” noutra radio.

Já viram o que era “parar” na Radio Festival?! Este já era um perigo na altura, num espectro muito concorrido.

Voltando ao radialista da música de mortos, eu não cheguei a contar o outro dado que faria jus à forma como a minha mãe caraterizava a música, se ela alguma vez tivesse sabido ou pensado nisto. Correu o boato que ele mesmo, também se suicidou de tanto passar música dos Joy Division nos 90 MHz da Radio Cultura.

Como a Radio Cultura e muitas outras rádios acabaram nessa altura, com o ordenamento que foi dado então, e a consequente concessão de licenças de rádio em número bem menor (foi aí que nasceram a Radio Nova e a Radio Press por exemplo), o boato nunca pôde ser desmascarado e depois perdeu-se no esquecimento.

Nem sei porque me pus a falar de tudo isto agora … Devo estar mesmo a ficar velho.

Comecei a senti-lo há cerca de um ano quando me apercebi que já não posso ser um jovem agricultor.

Sim, é verdade, eu preocupo-me por já não poder aspirar a ser um jovem agricultor.

Mas isso é outra história, e eu, que me propus a retomar aqui estas cUMBersas no blog, vou deixá-la para outra altura, porque não se podem “matar” dois assuntos de uma vez e este post já não vai pequeno.

Aliás, está na hora de acabar com as divagações e ir direto ao tema deste artigo, que é precisamente a versão de Shadowplay interpretada pelos The Killers.

Nem todas as canções dos Joy Division são como as que eu escolhia para abertura da dita cassete que me acordava por aqueles dias. Lentas e mais “pró depressivo” como The Eternal e Decades.

Hoje, ao racionalizar essa escolha, percebo que eram as faixas que mais me poderiam encorajar a continuar mais alguns minutos entre os lençóis, como eu bem gostava.

Só depois vinha Love will Tear Us Appart, a faixa que me fazia saltar da cama, não só pelo ritmo, mas também pela consciência que já passavam largos minutos da hora acertada para o despertar.

Ora, Shadowplay está como Love will Tear Us Appart no grupo das músicas mais mexidas dos Joy Division.

Mas não é da versão original de Shadowplay que vos falo, mas sim da versão interpretada pelos The Killers.

Há uns anos atrás, estreou nas salas de cinema o filme Control, do realizador Anton Corbijn, que retrata a vida de Ian Curtis, o referido vocalista dos Joy Division e alma de todo o projeto.

O filme foi baseado na biografia da viúva de Ian, Déborah, que em 1995 (eu fui pesquisar) escreveu “Touching from a distance” e que participou também na produção do filme.

 

Da banda sonora original constam várias covers, ou versões como queiram, bem como temas que inspiraram o próprio Ian Curtis como Warszawa de David Bowie. Aliás, os Joy Division começaram por se chamarem Warsaw devido a esta música.

Como referi, tenho os Joy Division em alta estima, talvez a ponto de os mencionar como a minha banda preferida. Antes de ter ouvido a versão de Shadowplay pelos The Killers, achava que nunca uma cover dos Joy Division poderia aproximar-se sequer do original.

Mas não é que me enganei!

Gosto mesmo desta versão, e não pensem que a atração é efémera e que logo acabarei por voltar a preferir o clássico em detrimento do novo arranjo, como tantas vezes acontece com algo novo que conhecemos.

A prova é que a tenho como toque do telemóvel há já seguramente 3 ou 4 anos e ainda não me cansei e continuo a achar o mesmo – consegue ser melhor que o original.

E olhem que o teste de a ter como toque é uma dura prova, pois eu não associo um especial contentamento ao ouvir do telefone a tocar. Sou daqueles que acha que os telemóveis são uns excelentes aparelhos com o único defeito de aceitarem chamadas 😉

E tu? Que música toca o teu telemóvel quando te ligam?

Queres fazer um pouco de cUMBersa aqui acerca dessa música?

 

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