O excecional ano de 1987

O excecional ano de 1987

17 de Dezembro de 2014 às 18:35 por em Música
 

A propósito de escrever um apontamento sobre uma banda – os The Smiths, acabei, agora que 2014 está a acabar, relembrando todo um ano – o de 1987 – ano extremamente rico, não fosse o ano dos meus Sweet Sixteen e da conquista da Taça dos Campeões Europeus.

A Princesa Diana visitou o Porto e o velhinho Fontes Pereira de Melo (a escola onde fiz o complementar) parou para ver a Lady Di (não) visitar o British Council, mesmo em frente, do outro lado da rua. À última hora foi desviada para algum lado e deixou-nos “levar” com o carrancudo do Charles.

Foi o ano em que chegou às salas de cinema Dirty Dancing, uma espécie de musical, de que nunca fui fã, mas que ainda assim prendeu a minha atenção, e principalmente a das “meninas” da minha geração.  Patrick Swayze muito jovem contracenava com Jennifer Grey. Registo a música Time of my Life.

Vídeo de Dirty Dancing

O FC Porto foi Campeão Europeu pela 1a vez, com aquele “taconazo” de Madjer (estranhamente não incluído nos melhores golos de sempre da Taça/Liga dos Campeões) , e eu com o meu amigo Paulo Rosas (por onde andas?), fomos os únicos a faltar ao teste de Físico-Química do dia seguinte, que simpaticamente (e calculadamente), a professora acabaria por nos deixar realizar uns dias mais tarde.

Taconazo de Madjer na final do Prater de Viena

Foi o ano em que me enamorei dos croissants recheados da recém-aberta Celeste, em Cedofeita. Bem quentinhos, acabados de sair do forno.

Foi o ano de nas aulas de eletrónica, criar circuitos impressos e montar componentes eletrónicos que implementavam dispositivos cujo funcionamento interno não percebíamos. Daí ter compreendido logo que mais tarde deveria fugir para Informática e ir para LESI em Braga em vez de prosseguir estudos numa área que para aquele nível de ensino inicial, tinha mais de místico que de científico.

Foi o ano de descobrir a minha apetência natural para os matraquilhos, entretanto descontinuada, que ainda assim me custou uma valente repreensão e represálias, por ter estragado com óleo, o casaco de antílope que o meu pai não usava, mas que guardava religiosamente no então guarda-vestidos.

1987 foi tudo isso que me acabou de ocorrer (exceto a final de Viena que me habita sempre o pensamento quando lembro 87), e foi muito principalmente – sobre isso me propus escrever – o ano do último álbum de originais dos The Smiths, banda que nesta altura ocupava praticamente o topo das minhas preferências musicais.

Uma banda de Manchester, como muito do que mais aprecio em termos musicais: Barclay James Harvest, James, Tim Booth, Swing Out Sister, The Verve, The Stone Roses, Ian Brown, e outros … Deixando para o fim, os principais: Ian Curtis, Joy Division e New Order.

Talvez seja daí que advém a afinidade clubística com o United, em detrimento do Liverpool e das equipas de Londres.

Strangeways, Here We Come ainda é para mim, daqueles álbuns que se ouvem do princípio ao fim sem evitar faixas.

Entre temas que ainda hoje trauteio com agrado como “A Rush and a Push and the Land Is Ours”, “Death of a Disco Dancer” e “Girlfriend in a Coma”, está o “Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me”, que eu propositadamente gravei no início da cassete, o que me facilitava o ato de rebobinar e voltar a ouvir de novo.

Strangeways, here we come - The Smiths

Grande amplitude sonora, com uma musicalidade inicial baixa e duradoura, dada por um ambiente género “almas que ardem em lume brando num purgatório” e que vão soltando bramidos, que nos vai preparando para um crescendo de sonoridade ditada pela entrada dos vocais e dos restantes instrumentos, uma vez que o piano acompanha desde o início.

Gosto também da posterior versão dos Low, que também explora uma grande amplitude sonora, mas que estabelece menos este contraste.

Mas o que me levou a escrever, e a vir fazê-lo aqui no blog, dado o n.º de carateres que logo se soltaram, (as palavras são como as cerejas, principalmente para quem ultimamente só redige sobre temas muito técnicos e pouco libertadores), foi ao ter procurado um vídeo que ilustrasse a música, ter encontrado um em particular (abaixo), do qual fazem parte excertos do filme “A Lenda de 1900”, onde Tim Roth, da série Lie To Me faz de alguém abandonado à nascença a bordo de um transatlântico, que acaba por nunca sair do navio e à custa do contacto diário com um piano a bordo, desenvolver uma excecional capacidade de execução daquele instrumento.

O vídeo retrata a fascinação do personagem interpretado por Roth, ao ver os olhos azuis de Mélanie Thierry – pudera 😛 (IMDB).

A música não está nada bem enquadrada com a imagem, pois nem sequer faz parte da banda sonora do filme, mas vale pelo “2 em 1” de juntar dois registos diferentes mas excecionais.

Mas não é por não incluir esta tema dos The Smiths que a banda sonora de The Legend of 1900 deixa de ser rica. Está garantida pelas músicas serem praticamente todas da autoria de  Ennio Morricone e por conter ainda um tema “Lost Boys Calling” de Roger Waters – o meu “Pink Floyd favorito”.

Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me dos The Smiths, ilustrada por imagens do filme “A Lenda de 1900”

Com Mar, Piano, música da melhor, um lindo par de olhos azuis … estão reunidos componentes mais que suficientes para que eu goste :)

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